BB E Mapfre assinam parceria em seguros:

No mais importante passo para reorganizar sua área de seguros, o Banco do Brasil assinou ontem um protocolo de intenções com o grupo espanhol Mapfre. Se ratificado, o acordo dará à instituição estatal a liderança ou vice-liderança de vários segmentos de negócio: seguro de vida, ramos elementares (que incluem, por exemplo, residências) e automóveis. A informação foi antecipada ontem pelo Estado.

BB também firmou com a Sul América uma carta de intenção para ficar com a participação da seguradora na Brasilveículos. Segundo o presidente do BB, Aldemir Bendine, o valor do negócio ainda não foi definido. O banco público também deve adquirir a parcela da Sul América na Brasilsaúde.

 

O acerto com a Mapfre foi divulgado com festa em um hotel de luxo próximo da Avenida Paulista, em São Paulo. Além dos principais executivos do Banco do Brasil, estava presente a cúpula da seguradora espanhola. "Tenho certeza de que o seguro brasileiro ganha com essa operação", afirmou o presidente mundial da Mapfre, José Manuel Martínez. "Gostamos muito da cultura do banco (BB)." Segundo Bendine, o negócio deve ser efetivado ao longo dos próximos 60 dias.

 

O advogado Ordélio Sette, que representou a Mapfre, explicou que, a partir de agora, serão definidos os detalhes do contrato. "Pontos que ainda não tinham sido discutidos, pela própria indefinição do modelo adotado pelo BB, agora serão", disse. O BB foi assessorado pelo Veirano Advogados e a americana Principal (que também é parceira do BB, mas em outro segmento), pelo escritório Pinheiro Neto.

 

Pelo modelo apresentado, o BB e a Mapfre serão os controladores da holding BB Seguros (ainda não se sabe se, após a confirmação do negócio, o nome vai mudar). A BB Seguros, por sua vez, controlará as diversas empresas do banco na área: Brasilprev (previdência aberta), Brasilveículos (automóveis), Brasilcap (capitalização) e Brasilsaúde (saúde), além da seguradora do Banco Nossa Caixa.

 

O vice-presidente do BB Paulo Rogério Caffarelli disse que ainda não está definido qual das duas empresas terá a maior fatia na holding, mas a tendência é de que seja a Mapfre. Segundo a analista de instituições financeiras da Ativa Corretora, Laura Lyra Shuch, esse formato dará ao BB mais agilidade na área de seguros. "Quando o BB controla integralmente uma subsidiária, elas passam a ser estatais. Isso implica, entre outras coisas, a necessidade de concurso público para a contratação de pessoal e de licitação para a compra de materiais", exemplificou. Sem isso, diz ela, o BB pode ser mais agressivo para atuar no segmento, que promete muita competição nos próximos anos.

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